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A Criança Interior: um olhar científico e simbólico para nossa cura emocional.


Nos últimos anos, muito se tem falado sobre a criança interior ou a criança ferida. Mas afinal, o que isso significa?

Será que é apenas uma metáfora bonita usada na psicologia e no autoconhecimento, ou existe uma base científica por trás desse conceito?


O cérebro e suas três camadas

De forma didática, costuma-se explicar o funcionamento do nosso cérebro em três grandes partes, modelo conhecido como “cérebro triúnico”, proposto por Paul MacLean na década de 1960.

  • Cérebro reptiliano: a parte mais primitiva, responsável por funções básicas de sobrevivência, instintos, segurança e reprodução.

  • Sistema límbico: associado às emoções, vínculos afetivos e memória emocional. É típico dos mamíferos.

  • Neocórtex: a parte mais evoluída, responsável pelo pensamento lógico, linguagem, planejamento e consciência.


Embora a ciência moderna aponte que essas funções são mais integradas do que divididas de forma rígida, esse modelo continua sendo uma ferramenta útil para compreender a forma como lidamos com experiências e memórias.


A primeira infância e os registros emocionais


Nos primeiros anos de vida, desde a gestação até a primeira infância, o neocórtex ainda não está totalmente desenvolvido. Isso significa que experiências dolorosas ou traumáticas desse período não podem ser processadas de forma lógica ou racional.

Elas ficam registradas principalmente no sistema límbico e reptiliano, como memórias emocionais e corporais.

É por isso que, muitas vezes, reações de medo, insegurança ou abandono parecem “irracionais”: não vêm da nossa parte adulta consciente, mas de registros guardados em uma camada mais profunda e primitiva do cérebro.


O que significa cuidar da criança interior


Quando falamos em “cuidar da criança interior”, não estamos falando de algo literal, afinal, não existe uma “criança dentro de nós”.

Trata-se de uma metáfora terapêutica para descrever esse processo de olhar para nossas dores emocionais mais antigas, que ficaram guardadas sem compreensão lógica.

Hoje, com nosso neocórtex desenvolvido, podemos revisitar essas memórias, reconhecê-las, dar um novo significado e oferecer à nossa parte ferida aquilo que não recebemos na infância: acolhimento, segurança, amor e validação.


Os traumas da primeira infância ficam registrados de forma emocional, pois o pensamento racional ainda não estava pronto para processá-los.

Cuidar da criança interior significa usar nossa consciência adulta para revisitar, compreender e curar essas marcas emocionais, trazendo integração e equilíbrio para a vida.


E sim, vale muito a pena investir em terapias e práticas que propõem o cuidado com a criança interior. Abordagens terapêuticas, como a psicoterapia, o trabalho com o corpo, a meditação guiada e outras práticas de autoconhecimento, podem ajudar a acessar com segurança essas camadas mais profundas do ser, onde estão guardados medos, dores e padrões inconscientes.


Ao revisitá-los com consciência e compaixão, abrimos espaço para a cura emocional, fortalecendo nossa capacidade de viver com mais leveza, presença e amor por nós mesmos.


 
 
 

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